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Testosterona e a Mulher: O que Diz a Ciência sobre a Reposição Hormonal

27 de maio de 2025

A testosterona é muitas vezes associada aos homens, mas ela é essencial também para a saúde da mulher. Produzida pelos ovários e pelas glândulas adrenais, essa substância exerce efeitos importantes na energia, no desejo sexual, na massa muscular e até no bem-estar mental. A questão é: quando a reposição de testosterona é realmente indicada para mulheres?

Neste espaço vamos explorar as recomendações baseadas na literatura médica, os benefícios e limites da terapia, e por que a dosagem de testosterona em mulheres nem sempre reflete a realidade clínica.

A testosterona na mulher: funções essenciais

Embora a testosterona circule em níveis muito mais baixos nas mulheres do que nos homens, ela é fundamental para:

  • Manutenção da libido;
  • Força, massa muscular;
  • Saúde óssea;
  • Energia e motivação;
  • Função cognitiva (memória e foco).

Com o avanço da idade — especialmente após a menopausa — os níveis de testosterona tendem a cair, o que pode contribuir para sintomas como queda do desejo sexual, cansaço, perda de massa magra e diminuição da qualidade de vida.

Quando a reposição de testosterona é indicada?

De acordo com a Endocrine Society e estudos publicados no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, a única indicação formalmente aceita para reposição de testosterona em mulheres é:

Desejo Sexual Hipoativo (DSH): quando a mulher apresenta queda significativa da libido, associada a sofrimento pessoal, e outras causas foram excluídas (como problemas psicológicos, uso de medicamentos, disfunções hormonais).

Nesses casos, a reposição pode ser feita em dose fisiológica, respeitando os níveis naturais da mulher, e com monitoramento rigoroso.

E os outros benefícios?

Estudos vêm mostrando benefícios potenciais da testosterona em outras áreas, embora sem indicação formal para reposição nesses casos:

  • Melhora da massa muscular e força;
  • Redução de gordura visceral;
  • Melhora do humor e da sensação de bem-estar;
  • Possível proteção óssea, especialmente em mulheres com osteopenia/osteoporose;
  • Atenuação da fadiga crônica, especialmente na pós-menopausa.

Importante: apesar desses possíveis efeitos, a literatura recomenda cautela. Esses benefícios ainda não são respaldados por consenso médico para iniciar reposição somente por essas razões. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Por que a dosagem não é fidedigna na mulher?

A medição da testosterona nas mulheres apresenta desafios técnicos:

  • Os níveis de testosterona total nas mulheres são 20 a 30 vezes menores que nos homens;
  • Muitos exames convencionais não têm sensibilidade adequada para detectar níveis tão baixos com precisão;
  • A testosterona livre, que é a forma ativa, é ainda mais difícil de quantificar com segurança.

Por isso, o diagnóstico é sempre clínico: o médico deve avaliar os sintomas e não apenas se basear nos números laboratoriais. A resposta ao tratamento também é um parâmetro relevante, sempre com doses controladas para evitar efeitos adversos.

Quais os níveis ideais de testosterona na mulher?

A literatura apresenta valores de referência, mas eles podem variar entre laboratórios. Em geral:

  • Mulheres em idade fértil: 20 – 70 ng/dL (testosterona total);
  • Pós-menopausa: 10 – 45 ng/dL.

Reposição segura:

  • O ideal é manter a testosterona total entre 50 – 70 ng/dL, sem ultrapassar o limite superior de 70 ng/dL, conforme estudos recomendam.

Obs: Valores acima disso aumentam o risco de efeitos colaterais como acne, oleosidade, queda de cabelo, engrossamento da voz e alterações no perfil lipídico.

Conclusão: individualização é a chave

A reposição de testosterona pode trazer benefícios reais para mulheres, quando bem indicada e acompanhada por um profissional qualificado. A decisão deve considerar sintomas, exames, história clínica e objetivos terapêuticos.

A testosterona é uma aliada, mas não uma solução universal. Respeitar os limites do corpo e tratar com base em ciência é o caminho para uma saúde hormonal equilibrada.

Referências principais:

  1. Davis SR, et al. Recommendations on postmenopausal hormone therapy from the Endocrine Society. J Clin Endocrinol Metab. 2015. PMID: 25950920.
  2. Islam RM, et al. Safety and efficacy of testosterone for women: a systematic review and meta-analysis. Lancet Diabetes Endocrinol. 2019. PMID: 31732283.
  3. Traish AM. Testosterone therapy in women: myths and misconceptions. Maturitas. 2020. PMID: 31952794.

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