Você percebeu que, com o passar dos anos, está mais difícil manter o peso ou que aquela gordurinha abdominal apareceu mesmo sem grandes mudanças na sua rotina? Se você está na menopausa ou entrando nessa fase, saiba que isso é comum – mas não é algo que precisa ser aceito como inevitável.
Vamos entender por que isso acontece, o que tem a ver com os hormônios, e o que você pode fazer para ter mais saúde e qualidade de vida.
O que muda no corpo da mulher na menopausa?
A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, marcada pela queda dos hormônios femininos, especialmente o estrogênio e a progesterona. Esses hormônios não regulam apenas o ciclo menstrual – eles também influenciam:
- Como seu corpo armazena gordura;
- Como você constrói massa muscular;
- A forma como o seu corpo gasta energia.
Com a redução desses hormônios, acontece uma mudança na cinética hormonal (a forma como os hormônios agem no corpo), levando a:
- Aumento da gordura abdominal (gordura visceral, que é mais inflamatória);
- Diminuição da massa muscular;
- Metabolismo mais lento, ou seja, o corpo gasta menos calorias.
Por que isso acontece?
- Estrogênio: antes da menopausa, ele ajuda a manter a distribuição da gordura mais concentrada nos quadris e coxas. Quando o estrogênio cai, o corpo começa a acumular mais gordura na região do abdome.
- Testosterona e DHEA: também caem, e esses hormônios são importantes para manter a massa muscular.
- Insulina: a sensibilidade à insulina pode diminuir, favorecendo o ganho de peso e dificultando o controle do açúcar no sangue.
Essa combinação hormonal torna o corpo mais propenso ao acúmulo de gordura e à perda de massa magra.
Por que isso é um problema?
A obesidade abdominal aumenta o risco de:
- Doenças cardiovasculares (infarto, hipertensão);
- Diabetes tipo 2;
- Inflamação crônica;
- Câncer de mama: estudos mostram que a obesidade é um fator de risco para o câncer de mama. Mulheres com excesso de gordura corporal, especialmente na região abdominal, têm maior produção de estrogênio periférico, favorecendo o desenvolvimento de tumores sensíveis a hormônios.
Além disso, o acúmulo de gordura visceral está associado a um ambiente pró-inflamatório, que também contribui para o risco de câncer e outras doenças crônicas.
O que fazer?
A mudança do estilo de vida é a ferramenta mais poderosa nessa fase.
- Alimentação saudável:
- Priorize alimentos ricos em fibras (legumes, frutas, grãos integrais);
- Reduza o consumo de açúcares e alimentos ultraprocessados;
- Inclua proteínas de qualidade (ovos, carnes magras, leguminosas) para preservar a massa muscular;
- Consuma boas fontes de gorduras saudáveis (azeite, abacate, castanhas).
- Atividade física regular:
- Combine exercícios aeróbicos (como caminhada, corrida, bicicleta) com exercícios de força (musculação, pilates);
- O treino de força é essencial para evitar a perda muscular e manter o metabolismo ativo.
- Sono de qualidade e manejo do estresse também são fundamentais para equilibrar os hormônios e evitar o acúmulo de gordura.
Conclusão
Cada fase traz seus desafios, mas também novas formas de se cuidar e florescer.
A mudança na composição corporal durante a menopausa é natural, mas com informação e atitude, é possível passar por essa fase com saúde e bem-estar.
Adotar hábitos saudáveis é mais do que uma questão estética — é cuidar da sua saúde, prevenir doenças e viver essa nova fase com mais energia.
Referências
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